Ellroy
Clément 2000-2011
Plus tendre et plus drôle...
Pastor alemão racista
Modiano
Poema do livro de Carrapato
Louis-Ferdinand
Carrapato reencontrado
Futebol
Chiça!
Luiza Neto Jorge
Edição da Ulisseia
Ah ah ah ah
Não aceito
Mais duas páginas
Capa impressa
A badana
A exaltação do mínimo
Pág 97 de Liliane
Prévert
Plano Nacional de Leitura
«Liliane est au Lycée»
Karoum e Cocteau
Perec
Léautaud
«Minet-Chéri»
Sagan fuma, escreve
Vera

George Miller descobriu que acedemos ao mundo através de uma espécie de janela por onde entra um número limitado de assuntos, vamos chamar-lhe itens, os itens que somos capazes de processar. Assim, a nossa «memória de trabalho» tem um limite de armazenamento entre 5 e 9, ou seja, 7 mais ou menos 2, o «número mágico». Ultrapassado este limite, deixamos de funcionar. 

Não me lembrei disto por mero acaso. Não. Faz parte do livro «Liliane..» do tal canadiano Normand Baillargeon onde se conta aquela anedota realmente real de Frédéric Lefébvre que em plena «Journée du livre politique» achou por bem afirmar que o seu livro preferido era «Zadig et Voltaire». Tal e qual assim dito sem hesitar e até com algumas considerações. Como é que se dá este maravilhoso mergulho na ignorância? Como é que Frédéric são sabe que «Zadig» é a obra de «Voltaire» e apenas se lembra da marca de roupa, sapatos «Zadig et Voltaire»? Favor confirmar no link que não estou para aqui louca a inventar. 

Ah, a cultura. Os franceses adoram a cultura geral. Experimentem procurar na página Amazon.fr pelo conjuntinho culture général e irão obter 446 359 hipóteses sobre este magno assunto. 

Resta perceber se a cultura nos torna melhores pessoas. Se o facto de mostrarmos os livros que lemos e eu tenho essa mania que junto em molhinhos no iPhone... fixo tudo. Em tempos idos saía-me mais cara a brincadeira. Agora vai a eito. Estou numa livraria qualquer, abro um livro e dou com uma página donde me saltam palavras interessante: foto. Leio o jornal para os colegas sociopatas como eu da rede Twitter e assim produzo uma leitura de imprensa. 

Resta perceber se a cultura nos torna melhores pessoas.

Resta perceber se a cultura nos torna melhores pessoas.

Não, pois não. Nem sempre. Não sabe/não responde. 

Em Portugal tivemos os violinos de Chopin entregues por Santana Lopes ao povo. Alguns gozaram, Santana fez-se de morto ou nem sei mais como sacudiu aquela mosca do nariz e ei-lo que «anda por aí». Capaz de governar outra vez Lisboa. Quem sabe?

De facto, os meus dias são feitos de livros, jornais, leituras sobre leituras dentro da tal janela definida por Miller. Durante um tempo, perdi muito tempo e sentia-o a escorrer pelos dedos. As minhas leituras e seriados à espera, a minha dose de curiosidade por satisfazer até que recuperei e aqui estou nas minhas conquistas, descobertas, lembranças. 

Donald Trump ganhou as eleições. Não me espantou, aliás, adormeci sem saber quem iria levar com o armamento todo às costas. Pela manhã muito de manhã, saí para a passeata canina do costume e só quando liguei o televisor é que percebi como ia o mundo. Sorri, encolhi os ombros, continuei a trincar as bolachas marinheiras e a dividi-las com o animal enquanto lhe explicava: isto está tudo muito diferente, não está? Parti em direcção aos meus afazeres, li os mailes, voltei a encolher os ombros e a reparar que o senhor ucraniano que lava as escadas mudou de detergente. Comovo-me mais com as conversas das velhotas do café que cumprimento do que. Ponto.