Por vezes levo muito tempo a andar por ruas, caminhos, avenidas, montes, vales do mundo. Durante anos, a Bélgica não permitiu a entrada do curioso automóvel da Google. Era muito original «andar» por todo o lado e chegar aquele pequeno canto, do mesmo tamanho de Portugal e nada. Erguia-se um muro opaco que muito apreciava. A transparência de hoje é uma ficção. Um amigo, desde sempre mente brilhante, estuda este assunto. A relação entre opacidade e transparência. Talvez o mundo esteja demasiado à mão. Via inferNet (tem direitos de autor que pertencem graciosamente a Tom das facas) tudo pode ir abaixo. A língua que está por baixo destas palavras, das imagens, das nossas conversas privadas, mailes privados, navegar anónimo, tudo é facilmente invertido. No fundo, estamos nus e frágeis. Incluindo quem muito sabe e vive do tráfico de dados ou é um potencial hacker apenas pelo gozo do interdito ou desafio matemático. Contam-se pelos dedos certos de uma só mão o número de algoritmos que nos controlam a vida. Serão cinco, não mais que cinco: NSA, Google, criptografia, HFT destinado ao fantástico mundo da finança e que inclui um «algoritmo desonesto», tal e qual assim designado e OkCupid de Chris McKinlay. Esta informação vem toda na inferNet para quem se interessa pelo assunto, mesmo sem lhe dar uso ou sequer ter paciência para a arqueologia. É precisa muita, mas muita paciência. Eu não tenho. Leio, por vezes não percebo nada do que leio, mas se procurar pela aplicação prática do que li, farto-me de rir de mim. A passagem do escuro para a luz deixa-me cega por instantes, tal como a descer as escadas do prédio com a mão na parede para me equilibrar quando entro vinda da luz de Lisboa que mesmo no Inverno é muitíssimo intensa. Eu sou ética no uso da informação que possuo e quando pretendo ir além do que sei, que é pouco ou quase nada, paro e fico quieta, enfim, quando me calha ficar quieta o que é raro.

 

Bom planeta para todos.