«O sistema mediático segrega uma concentração de poder ao pé da qual a 'acumulação primitiva do capital' cara a Marx não passa de uma brincadeira de crianças. A selecção efectuada benificia exclusivamente um punhado de intelectuais» Alain Minc, L'ivresse démocratique, Gallimard 1994

«Sejam quais forem as escolhas do nosso zapping, não tenhamos ilusões. Para os especialistas da legitimição, as acumulações e as 'relações de interconhecimento são de regra: dispor de uma tribuna garante praticamente a oferta da seguinte» Serge Halimi, Les Nouveaux chiens de garde, Liber 1997

«Um meio. Ideias uniformes e códigos idênticos. Três dezenas de jornalistas ou 'intelectuais', inevitáveis e volúveis. Entre si, a conivência é de regra. Encontram-se, frequentam-se, apreciam-se, entreglosam-se, estão de acordo sobre quase tudo. (...) Alain Minc (...) qualificou a ideologia do grupo de 'círculo da razão'. (...) Touraine (...) não tardaria a corrigi-lo, preferindo a expressão 'círculo do real e do possível'.» Serge Halimi, Les Nouveaux chiens de garde, Liber 1997

«Alain Duhamel encarna melhor do que ninguém esta elite omipresente. Giscardiano, barrista, em seguida ballurdiano, amanhã, se preciso for, jospiniano, preside ao comité editorial da Europe 1. Aos microfones desta rádio, disserta todos os dias (...) na 'faixa da manhã' que tem por público-alvo, os 'decisores' (...) Às quartas-feiras enfrenta -- cortesmente -- Franz-Olivier Giesbert, director do Figaro, e Serge July, director do Libération, num debate de 'informação'. Se Serge July intervém na Europe 1 às quartas-feiras, Alain Duhamel escreve no Libération às sextas. Cada um deles é pois, por assim dizer, o empregador do outro.» Serge Halimi, Les Nouveaux chiens de garde, Liber 1997

«Em Paris, vou descobrir toda a sorte de redes que, em detrimento dos factos e da honra e em benifício dos seus interesses, decidem dos alvos a abater e dos modos de pensar (...). Fora dos clãs, das clientelas, fora das sociedades de admiração mútua e dos reenvios de ascensor, não há salvação e muito menos conforto.» Christine Ockrent, La Mémoire du Cœur, Fayard 1997

«a excelência de cada um [é] corroborada pelas permanentes piscadelas de olho admirativas dos outros dois.» Guy Debord, Guy Debord, son art, son temps, Canal Plus, 1995

Todos estes nomes de «cães de guarda» apontados por Serge Halimi em 1997, podem ser substituídos por nomes portugueses actuais nossos conhecidos. Os «cães de guarda» estão em todos os órgãos de comunicação social e encontramo-los em todas as áreas de serviço. Da política passando pela literatura, arte, a chamada cultura, tudo padece deste poder de caixeira de supermercado. Restam-nos as redes sociais para os topar e com maior ou menor delicadeza, despirmos os servidores dos servidores que servem quem devem servir, enquanto comentamos, entre nós: mas esta gente vai nua.