I awoke today and found the frost perched on the town
It hovered in a frozen sky, then it gobbled summer down
When the sun turns traitor cold
and all trees are shivering in a naked row
I get the urge for going but I never seem to go
I get the urge for going
When the meadow grass is turning brown

Summertime is falling down and winter is closing in
I had me a man in summertime
He had summer-colored skin
And not another girl in town
My darling's heart could win
But when the leaves fell on the ground
And bully winds came around pushed them face down in the snow
He got the urge for going and I had to let him go
He got the urge for going
When the meadow grass was turning brown

And summertime was falling down and winter was closing in
Now the warriors of winter they gave a cold triumphant shout
And all that stays is dying and all that lives is getting out
See the geese in chevron flight flapping and racing on before the snow
They've got the urge for going and they've got the wings so they can go
They get the urge for going
When the meadow grass is turning brown

Summertime is falling down and winter is closing in
I'll ply the fire with kindling and pull the blankets to my chin
I'll lock the vagrant winter out and I'll bolt my wandering in
I'd like to call back summertime and have her stay for just another month or so
But she's got the urge for going so I guess she'll have to go
She get the urge for going when the meadow grass is turning brown
And all her empires are falling down
And winter's closing in
And I get the urge for going when the meadow grass is turning brown
And summertime is falling down

Roberta Joan Anderson por Norman Jean Ray, 2015. Se Dylan foi Nobel, se Leornard C. é eterno candidato, explique-se o ligeiro passar por cima dos poemas de Joni Mitchell. Poemas, poesia e não um ândito para músicas. Arrepio na espinha, tudo na obra literária de Joni é uma dolorosa sonrisa vertical. Por lá estão os homens, coiote s, o dry cleaner from Des Moines e a filha perdida, largada, a Little Green dos 21 anos de Joni e reencontrada adulta, tão mais tarde. E as doenças, casamentos falhados, casos parvos com homens cretinos porque o abismo da estupidez a atraía e o sucesso de par com a fragilidade de cada ruga, porcaria das rugas no feio rosto belo da compositora que disse alto e para o baile em pleno domínio masculino neste particular campo. Foi ela, foi a primeira. Apareceu e cantou «urge for going» que a tonta da Judy Collins recusou. Os dramas interessam-me muito. As vidas lisas como as que vemos passar na InferNet não mexem e portanto como hão-de mexer comigo. A curiosidade dura um tempo e depois morre. Há excepções, pelo menos a do casal da «pequenália» que acompanho e até ao crescimento dos cães sou sensível. Ainda hoje ou ontem percebi que estava a ver a cadela Teca cujo nascimento testemunhei. A Teca. 

Registo: sou intolerante à lactose das pessoas leitosas. Das oportunistas porque sim, das alvares criaturas mal amadas como eu, como nós, mas sem surpresa num só pêlo do corpo. E se me chegaram via rede sociopata é ali mesmo que as resolvo. Apagando-as. O Facebook é superiormente bem desenhado, imaginado para os nossos laguinhos de narcisistas. Diariamente aparece-me a minha memória com publicações de anos anteriores. Apago com método todos os comentários de uma rapariga que conheci e prefiro desconhecer tal era a forma obtusa como se intrometia em tudo, diria mamãe «piolho em costura», mas sem um pingo de pessoas com pessoas, ousadas, dignas. E ainda os comentos de um homem estranho que resolveu espantar-me com um «elogio» ao cão ficando eu etc. Situação confrangedora, manquée. Pobre homem. Nunca perceberá o que fez. Deixa-me puxar pela memória: os comentários de uma defensora de Sócrates sem recuo algum, os de um miúdo revolucionário de bits e algum papel que se agarra àquilo como se aquilo fosse a rua da revolução e que revolução? Sobram mais uns avulsos que me deixam a ler sem perceber um boi, uma vaca, um cabrito. Apago também as minhas idiotices, claro. Agora, ainda bem que na vida não se apaga uma só porcaria com a facilidade da firma Facebook (até o nome é bem sacado, uma inveja que lhe tenho ao criador) e portanto aqui deste lado vivo tenho o que tu tens: imprint. Um imprint pegado. Mesmo que esqueça, e esqueço, tudo irá emergir do latente. Mais dia, menos dia. Se pudesse não ter perdido tanto tempo com pessoas que, de facto, nunca me interessaram junto com as pessoas que me interpelaram até se mostrarem vulgares, se, se. Baratas tontas. Elas mais eu. As baratas metem-me nojo. A sério. As ratazanas são assustadoras, mas as baratas resistentes são ou não nojentas?
 

Uma rapariga enormemente obesa está sentada à espera que lhe dêem dinheiro. Dou. Num dos dias, iria jurar, tinha ela mais moedas que eu dentro dos bolsos e da minha carteira tão bonita. 
Sentei-me junto, vinha cansada, falámos e ela mentiu. Eu disse a verdade: sou uma pessoa com azar. Rimos e fim? A rapariga orca boa arranjou uma gigante manta com um tigre nas costas. É a selva. 

O senhor de preto fingia que lia o meu livro. Na realidade, um jovem mais jovem que eu. Bonito cabelo que poderia mostrar não se desse o caso de o anónimo ser anónimo e de concordar com esta reserva. 

Há muita falta deste contacto privado. Sem intermediário de chats sem fim e sem proveito. 

Jorge, temos aqui um problema com o Laplantine. O livro é mais que bom, obriga-me a ler muito, a abrir dicionários, a comparar isto e aquilo. À primeira vista o problema mantém-se no prólogo, vai por ali fora, mas o wu wei que Laplantine analisa e bem, parte de uma estranha confusão. Em mandarim non, não diz-se como se fora pu; em japonês iie (ignoro a pronúncia) nunca por nunca se diz directamente, isolado. Para um japonês dizer não é preciso esperar que ele dê uma volta ao sol e volte. Mesmo assim wu wei que literalmente significa nada fazer e que na peneira do taoísmo sobe à estratosfera sai da vida e neste flutuar é que se encontra o belíssimo e tramado conceito. Direi até superior: wú wéi em mandarim resolve-se com um pouco ou nenhum esforço. O desfazer da brutal dicotomia não/sim, a nossa dicotomia desgraçada sem nada no meio segue viagem e apanha, de caminho, «a discriminação normativa do verdadeiro e falso». Faz de Platão um platinho perdido entre acreditar e saber. Aparentando hesitação, explica Laplantine, este conceito avançado, com milhares de milhares de anos, arrasa a velocidade dos nossos comportamentos sobressaltados, sobreconectados, adaptados à cultura da pressa e do cansaço. Se tu me faltares, imagino eu que tenho à disposição centenas de "tu" com quem irei preencher o vazio sem parar. Sem wu wei. A visão crítica de Laplantine sobre o quotidiano dos sem tempo, dos que estão em permanente reposição do outro consiste em mostrar-nos a tamanha pobreza em que estamos metidos até aos cabelos.  

Vê tu, Jorge, eu apago as pessoas que nas sociopatas me desiludiram/iludiram e para mim wu wei. Leituras, dormir, beber água, racionar os contactos, wu wei. E wu wei porque, de alguma forma, eram importantes ou talvez o venham a ser. Para sempre importantes e o seu contrário. Há aqui uma dignidade que desde sempre me conquistou. Não ter medo de conferir importância ou de a arrumar noutro lugar quando descobrimos, sem correrias, como fomos levados por esta porcaria de coisa que se pega: a solidão toda de pernas para o ar quando deveria ser acarinhada e respeitada. Levada ao colo. Solidão, não isolamento e martírio. Eis a beleza deste livro: NON 

Laplantine exige muita leitura. Muitos livros abertos. Não os tenho, a todos. Ainda. 

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